As Barracas de Praia são montadas durante os meses de verão nas praias de Esposende.
Hoje, olhamo-las com nostalgia, colorindo memórias de verões passados, no início do século XX tinham um propósito muito prático: permitiam às mulheres trocarem de roupa com recato, longe dos olhares curiosos, antes de mergulharem no mar. Eram mais do que simples estruturas de lona – eram símbolos de uma época em que a praia se tornava um espaço de lazer, de encontro e de liberdade, sem perder o pudor que os tempos exigiam.
As barracas são também testemunhas de grandes amizades e acompanham a passagem de várias gerações de famílias por estas praias. Apesar de poderem ser alugadas ao dia, à semana, à quinzena ou ao mês, grande parte destas barracas ficam já reservadas de ano para ano, não só para quem as aluga poder escolher a localização a seu gosto, mas também para garantir a vizinhança de sempre. Mais do que amores de verão, aqui vivem-se verdadeiras amizades estivais. Muitas delas nascem em crianças, a construir castelos na areia, e prolongam-se durante anos até se tornarem para a vida e serem passadas às gerações futuras.
Mas Esposende não é apenas um lugar de veraneio. É também terra de pescadores, de marés e de redes. A pesca do polvo é uma arte antiga que continua viva, marcada pelo uso dos tradicionais covos, engenhos de arame ou vime, armadilhas engenhosas que repousam no fundo do mar à espera do polvo curioso que neles entra. Estes instrumentos, simples na aparência, carregam séculos de saber, paciência e respeito pela natureza, transmitidos de geração em geração.
Com a iniciativa “Maré Alta com Tradição”, queremos trazer estas memórias, saberes e objetos para o coração da cidade, das barracas que outrora deram abrigo à mudança de roupa, aos covos que continuam a contar histórias de pescadores. É um convite para todos, moradores e visitantes, passearem pela rua como quem caminha na praia, sentindo a brisa da tradição e a força do mar que sempre fez de Esposende um lugar único.


01/08/2025







